
O Retorno de Madama Butterfly ao Theatro Municipal Arte, memória e vocação turística
- Turismo News

- 17 de nov.
- 3 min de leitura
Há obras que ultrapassam a categoria de espetáculo para se tornarem acontecimentos culturais capazes de redefinir a relação de uma cidade com seu próprio público. A nova produção de Madama Butterfly, que estreia em 21 de novembro no Theatro Municipal do Rio de Janeiro, é uma dessas ocasiões especiais. Depois de 11 anos sem encenar o título, o principal palco lírico do país volta a apresentar a tragédia de Puccini, trazendo não apenas uma interpretação renovada, mas um gesto simbólico: reafirmar a ópera como parte fundamental da experiência cultural da capital fluminense — e, portanto, de seu potencial turístico.
Com regência de Alessandro Sangiorgi e direção cênica de Pedro Salazar, a montagem aposta em uma leitura visual inspirada nos anos 1950, deslocando a narrativa para um Japão pós-guerra que dialoga com novas sensibilidades estéticas sem perder a essência dramática e a originalidade da obra. Cenografia de Renato Theobaldo, figurinos de Marcelo Marques e iluminação de Paulo Ornellas completam a equipe artística, criando um ambiente que combina delicadeza e densidade emocional.
O elenco reúne vozes que carregam maturidade cênica e vigor interpretativo. O soprano japonês Eiko Senda, referência na interpretação de Cio-Cio-San (interpretou o papel em mais de 300 récitas), divide o papel com Daniela Tabernig, soprano argentino que faz sua estreia na Temporada Artística Oficial da casa. No elenco masculino, destacam-se Matheus Pompeu e Miguel Geraldi, Inácio de Nonno, Santiago Villalba e Murilo Neves. Completam o elenco o grande mezzosoprano Luciana Bueno e a prata da casa, representada por alguns dos mais talentosos cantores do TM, como Lara Cavalcanti, Geilson Santos e Carla Rizzi. Há ainda jovens que têm demonstrado promissor futuro, como João Campelo, Flavio Mello e Fernando Lorenzo.
A volta de Madama Butterfly ao Municipal é, por si só, um atrativo para visitantes de outras cidades. A ópera, por sua força emocional e apelo universal, tem o poder de mobilizar públicos diversos — de iniciados a curiosos. Ao lado disso, há o magnetismo do próprio Theatro Municipal: um monumento da Belle Époque carioca, cuja arquitetura, história e vida artística fazem dele uma parada obrigatória para quem deseja compreender o Rio de Janeiro para além do mar e das montanhas.
Não é coincidência que teatros de ópera ao redor do mundo — de Viena a Buenos Aires — integrem os roteiros turísticos de suas cidades. O Municipal do Rio segue essa mesma vocação. Iniciativas como preços acessíveis (de R$ 20 a R$ 90) e o Projeto Escola, que levará estudantes a uma sessão especial no dia 25, revelam uma política cultural que combina excelência artística, formação de público e democratização do acesso.
Ao revisitar Madama Butterfly, o Theatro Municipal reafirma seu papel como centro pulsante da produção cultural carioca e como um dos mais importantes ativos simbólicos e turísticos do estado. A arte, quando apresentada com qualidade e sentido público, não apenas emociona — ela transforma a relação das pessoas com a cidade. E essa nova temporada de Puccini é um convite para que o Rio de Janeiro, habitantes e visitantes, volte a se reconhecer na beleza de seu patrimônio vivo.
Serviço– Madama Butterfly no Theatro Municipal do Rio de Janeiro
Datas:
21 de novembro – 20h
23 de novembro – 17h
25 de novembro – 14h (Projeto Escola)
27 de novembro – 20h
29 de novembro – 20h
30 de novembro – 17h
Local: Theatro Municipal do Rio de Janeiro – Praça Marechal Floriano, Centro.
Ingressos: R$ 20 a R$ 90.



