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A tal guerreira que fez história!


Foto Divulgação
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Uma claridade a ser vista e revista na Cidade das Artes

Clara Nunes foi mais do que uma das maiores vozes da música brasileira: foi símbolo de resistência, identidade e beleza cultural. Sua trajetória marcou não apenas o samba, mas também a forma como o Brasil se reconhece em sua diversidade. É essa potência que o musical “Clara Nunes, a tal guerreira” celebra de maneira emocionante e vibrante.

No papel de Clara, Emanuelle Araújo entrega uma interpretação convincente e comovente. Sua presença em cena alia delicadeza e intensidade, transmitindo a força da artista com autenticidade. A beleza de sua voz dá nova vida aos clássicos eternizados por Clara, fazendo o público reviver a emoção de cada canção e reafirmando a dimensão atemporal dessa obra.

O espetáculo também presta uma linda homenagem à amizade e cumplicidade entre Clara e Bibi Ferreira, sua confidente e referência artística. A personagem ganha vida de forma magistral por Carol Costa, que emociona ao recriar essa presença fundamental na trajetória da guerreira.

Com direção sensível e poética de Jorge Farjalla, o musical costura a vida e a obra da artista, revelando a força de uma mulher que abriu caminhos, rompeu barreiras e deixou um legado que continua vivo. Farjalla e André Magalhães fizeram uma vasta pesquisa biográfica, e trouxeram uma dramaturgia que mescla solos musicais e cenas em diálogos, elevando a encenação a uma verdadeira celebração simbólica e mística da trajetória de Clara.

Entre os destaques do elenco, merece menção a bela voz de Paulo Viel, no papel de José, irmão de Clara, trazendo sensibilidade e intensidade às cenas. Amanza Macedo, como Nanã, e Felipe Adetokunbo, como Èsú, apresentam sólidas construções de suas personagens, que enriquecem a narrativa - o espetáculo  conta com um excelente elenco de apoio muito bem dirigido e entrosado. 

Além disso, é fundamental ressaltar que o musical aborda com profundidade a religiosidade de Clara Nunes, evidenciando seu encontro com o sincretismo brasileiro — candomblé, umbanda e catolicismo —elementos intrínsecos a sua identidade artística e espiritual. A montagem propõe uma viagem onírica e ritualística, apontando o palco como um espaço sagrado, onde Clara transita entre mundos, guiada por seus orixás e pela memória de sua fé.

Na grandiosidade da Cidade das Artes, que merece os parabéns pela programação, o musical ganha ainda mais luz: cada cena é um convite a reverenciar Clara, a guerreira que transformou a música brasileira em patrimônio do povo. Imperdível para quem ama nossa cultura e para quem deseja conhecê-la em sua plenitude.


Ficha Técnica

Espetáculo: Clara Nunes, a tal guerreira

Idealização: Vanessa da Mata

Direção e encenação: Jorge Farjalla

Texto: Jorge Farjalla e André Magalhães

Direção musical:  Fernanda Maia 

Elenco: Emanuelle Araújo, Clara Santhana, Evelyn Castro, Luanda Carneiro Jaco, Pedro Lima, Carol Costa, Paulo Viel, Amanza Macedo e Felipe Adetokunbo



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