Turismo, cannabis e o que o Rio de Janeiro ainda pode aprender
- Messias Martins
- 2 de abr.
- 2 min de leitura

A experiência em um resort canábico na Koh Samui pode parecer, à primeira vista, apenas uma curiosidade exótica.
Um hotel com produtos infusionados, lojas especializadas e experiências sensoriais integradas. Mas, na prática, o que está por trás disso é uma decisão econômica bem estruturada.
Desde que a Tailândia descriminalizou a cannabis em 2022, o país passou a explorar um novo eixo de crescimento baseado no turismo. Em poucos anos, surgiram milhares de dispensários, um mercado bilionário e um ecossistema que conecta hospitalidade, gastronomia, agricultura e bem-estar.
Mais do que liberar o consumo, houve uma integração estratégica entre setores — algo que transformou a cannabis em um ativo econômico relevante.
No Brasil, o debate ainda caminha de forma mais cautelosa, muitas vezes restrito ao campo medicinal e jurídico. E é justamente nesse ponto que surge uma reflexão inevitável quando olhamos para o Rio de Janeiro.
O Rio já é, por natureza, um dos destinos turísticos mais desejados do mundo. Sua cultura, estilo de vida, clima e identidade criam uma base que poucos lugares conseguem replicar.
Existe aqui uma vocação clara para experiências — do entretenimento à gastronomia, do bem-estar ao luxo.
Mas, ao mesmo tempo, grande parte desse potencial ainda é explorada de forma tradicional.
Enquanto outros destinos criam novos mercados e constroem narrativas contemporâneas para atrair um público global, o Rio ainda se apoia fortemente em ativos históricos. Isso não é um problema — mas pode ser uma limitação.

A discussão, portanto, não é simplesmente sobre cannabis. É sobre visão de futuro.
É sobre entender como tendências globais podem — ou não — se adaptar à identidade local, respeitando cultura, legislação e contexto social, mas sem ignorar oportunidades econômicas relevantes.
No cenário atual, mais do que decidir se participa ou não desse movimento, cidades como o Rio precisam decidir como querem evoluir como destino.
Porque, no fim, o turismo mais valioso não é apenas o que atrai visitantes.
É o que cria novas formas de experiência



