
Lufthansa formaliza interesse na privatização da TAP e propõe parceria de longo prazo
- Turismo News

- 21 de nov.
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Grupo alemão apresenta proposta estratégica ao governo português, mira expansão no Atlântico e reforça disputa pela liderança europeia no setor aéreo
Lisboa — O grupo Lufthansa oficializou ao governo português seu interesse em participar do processo de privatização da TAP Air Portugal, consolidando-se como um dos principais candidatos à compra de uma participação relevante na companhia. A manifestação formal foi entregue após meses de conversas técnicas e análises internas, marcando uma nova fase na disputa pela transportadora lusa, considerada estratégica para o mercado transatlântico.
A Lufthansa, que já controla empresas como Swiss, Austrian Airlines e Brussels Airlines, propôs um modelo de parceria de longo prazo, com foco na integração operacional gradual e na manutenção do hub de Lisboa como porta de entrada para a Europa. Segundo fontes ligadas às negociações, o grupo alemão se compromete a preservar a autonomia operacional da TAP e garantir investimentos para modernização de frota e ampliação de rotas.
Hub de Lisboa como ativo estratégico
Para a Lufthansa, a TAP desempenha um papel essencial na conectividade entre Europa, Brasil, África e Estados Unidos. O hub de Lisboa é considerado um dos mais promissores do continente, com espaço para expansão e demanda crescente. A companhia alemã pretende fortalecer essa posição e integrar a TAP ao seu ecossistema global, ampliando sinergias comerciais e logísticas.
Analistas destacam que, caso a proposta avance, a TAP poderia se beneficiar do acesso ao programa de fidelidade Miles & More, ao centro de manutenção da Lufthansa Technik e a uma malha de conexões mais robusta, especialmente para destinos corporativos e de alto valor agregado.
Disputa com IAG e Air France-KLM
A Lufthansa não é a única gigante a disputar a TAP. Grupos como IAG (controladora da Iberia e British Airways) e Air France-KLM também apresentaram interesse na privatização. No entanto, especialistas afirmam que a Lufthansa desponta com vantagem pela afinidade operacional e pelo histórico de integração bem-sucedida com outras companhias europeias.
Enquanto a IAG poderia gerar preocupações sobre concentração de tráfego no hub de Madri, a Lufthansa se apresenta como uma alternativa mais alinhada ao objetivo português de manter Lisboa como centro estratégico de operações.
Governo português avalia cenários
O governo de Portugal ainda não definiu o modelo final da privatização, mas trabalha para concluir o processo em 2025. Entre os critérios avaliados estão:
Garantia de investimentos em frota e infraestrutura
Manutenção de postos de trabalho
Compromisso com o hub de Lisboa
Sustentabilidade financeira de longo prazo
Fortalecimento das relações com mercados estratégicos, como Brasil e EUA
A TAP, que enfrenta desafios históricos de endividamento, registrou recuperação significativa após a pandemia, impulsionada pelo aumento da demanda turística e pela reorganização de rotas. Mesmo assim, especialistas afirmam que a privatização será essencial para garantir competitividade duradoura.
Próximos passos
Com a proposta formalizada, o governo iniciará uma fase de negociações e análises técnicas. A Lufthansa, por sua vez, sinaliza que pretende manter uma postura cooperativa e transparente, reforçando que a aquisição da TAP se encaixa em sua estratégia de expansão sustentável e integração europeia.
Se concretizada, a operação poderá redesenhar o mapa da aviação no continente e consolidar a TAP como um dos pilares do tráfego transatlântico na próxima década.



